A metodologia oficial do Inep pra acompanhar o que acontece com um estudante do ingresso até o fim do curso.
Todo ano, o Inep realiza o Censo da Educação Superior — um levantamento que hoje cobre praticamente todas as instituições, cursos, estudantes e docentes do país. Até 2008, porém, os dados de alunos eram coletados apenas agregados por curso: dava pra saber quantos ingressantes e concluintes um curso teve num ano, mas não dava pra saber se o concluinte de 2014 era o mesmo aluno que tinha ingressado em 2010.
A partir de 2009, o Inep passou a coletar essas informações de forma individualizada — cada estudante ganhou um identificador que se repete ano a ano. Isso abriu a porta pra um tipo de indicador que antes só existia de forma aproximada: acompanhar a mesma pessoa, no mesmo curso, ao longo do tempo. É esse acompanhamento que o Inep chama de trajetória acadêmica, e é a metodologia oficial (publicada pelo Inep em 2017) que o módulo de Trajetória deste sistema reproduz.
A partir do momento em que um estudante ingressa num curso, sua situação em cada ano seguinte só pode ser classificada em uma de três condições:
A metodologia do Inep costuma comparar essa lógica com uma viagem de carro: sair do ponto de partida e chegar ao destino planejado é a conclusão — o sucesso da viagem. Desistir da viagem antes de chegar é o equivalente à evasão — o insucesso. E enquanto a viagem está em curso, sem ainda ter chegado a nenhum dos dois destinos, o carro está em permanência — andando, mas sem um resultado definitivo ainda.
Isso é mais simples do que parece à primeira vista, mas é diferente da educação básica, onde existem também os conceitos de "promoção" e "repetência" (passar ou repetir de série). No ensino superior, cada curso tem sua própria duração, grade e critérios — não existe uma "série" comum a todos os cursos — então só os dois destinos finais (concluir ou desistir) e a permanência entre eles fazem sentido como medida.
A partir dessas três condições básicas, a metodologia oficial deriva um conjunto de taxas, todas já presentes no módulo de Trajetória deste sistema:
Um detalhe importante ao interpretar esses números: uma coorte que ingressou há pouco tempo naturalmente ainda não teve chance de concluir — os anos mais recentes vão sempre mostrar taxa de permanência alta e taxa de conclusão baixa, simplesmente porque a viagem ainda não terminou. Isso não é reflexo de qualidade do curso, é só uma questão de tempo — por isso o sistema deixa isso avisado nos filtros.